Não repara a bagunça...







O que é?

Viemos, estamos aqui, mas não fazemos idéia do por que. Queremos tudo e nunca fazemos nada. As coisas acontecem e a gente nem percebe. Mas no final tudo dá certo e a gente se entende. O resultado é este, mas não repara, tá?


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Cherry

Egometipse

O Homem do Rótulo Vermelho

To mal na fita


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Quarta-feira, Maio 23, 2007


Linha de produção - Brasil

Inseticida natural combate a dengue

Um inseticida natural capaz de eliminar em reservatório de água todas as larvas do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti, foi obtido a partir da planta Piper solmsianum, originária da Mata Atlântica.

O desenvolvimento do biocida teve início com o estudo das lignanas, moléculas lipídicas produzidas pela atividade metabólica das plantas, que são eliminadas naturalmente como defesa contra inimigos.

Participaram da pesquisa a bióloga Marise Maleck e o entomologista Anthony Érico Guimarães, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, e o professor Massuo Jorge Kato, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo, que isolou a lignana da planta.

***

Banho quente e barato

Um relaxante banho quente não vai mais onerar a conta de energia elétrica. Um aquecedor, feito pela equipe do professor Jorge Henrique Sales, do Departamento de Tecnologia em Produção Mecânica, do Centro Universitário de Itajubá, Minas Gerais, utiliza a luz solar para aquecer a água em até 70 graus Celsius.

A água fria passa por um cano que vai até o aquecedor solar e após esquentar, fica em uma caixa-d¿água térmica, revestida com lã de vidro, de onde será distribuída. O cano que transporta a água passa por dentro de latas de alumínio furadas numa região específica em que ocorre a refração da luz, isto é, onde o raio do sol incide duas vezes. As latas são instaladas numa caixa com fundo preto e cobertas por um vidro que permite a entrada do calor e impede sua saída.

FONTE: Revista Pesquisa Fapesp - nr. 134 - Abril de 2007

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Egometipse

às 09:39

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Quarta-feira, Janeiro 11, 2006


MUNDUS INSANUS

No mundo ideal não há stress, não há trânsito, não há inflação, não há corrupção na política, não há violência urbana... Eu não sei vocês, mas eu não vivo num mundo ideal. No meu mundo as pessoas ficam nervosas, têm gastrite, enxaqueca, psicose, dor nas costas, depressão, mau humor crônico e diarréia.
São muito poucos os que têm a sorte, e por que não dizer a bênção, de trabalhar no que gosta e ser conformado com a vida. Porque conformar-se com a vida às vezes é a melhor atitude para ser feliz. Os budistas bem sabem disso e abominam a vontade como fonte de toda a infelicidade humana.
Eu não nasci talentosa e sei que nunca farei sucesso como escritora ou pintora, por isso trabalho num emprego chato de segunda à sexta como a maioria das pessoas. Eu não reclamo do meu trabalho, afinal, ele me sustenta e não é o pior trabalho do mundo, mas preferiria ganhar na mega sena acumulada e morar em hotéis ao redor do mundo. Pena que, como eu já disse, eu não vivo num mundo ideal.
O que seria de mim então sem minha família e meus amigos? Seria mais uma pessoa transtornada tomando anti-depressivos e achando que pode morrer a qualquer momento. Aliás, para quem não sabe, anti-depressivo também é droga e também vicia. O que seria das pessoas que, como eu, esperam ansiosamente pela sexta-feira, para sair do trabalho e curtir uma happy hour com os amigos no bar mais próximo se esses pequenos momentos de alegria não existissem? Que seria dos stressados sem o churrasco no fim-de-semana regado a cerveja e futebol? Que seria das pessoas que trabalham quatorze horas por dia sem a taça de vinho no jantar? Que seria da humanidade sem a possibilidade de relaxar, ainda que por alguns momentos?
É fato científico comprovado que o organismo de diversos animais (e isso inclui o homem) é particularmente adaptado ao consumo de drogas de vários tipos ¿ vide Scientific American Brasil, abril de 2004 ¿ incluindo chocolate, café, doces, gordura saturada e outros, que todos pensam serem inofensivos, mas que são os mais viciantes e destruidores de todos especialmente por não serem divulgados publicamente o seu poder de controle da mente. Biologicamente o ser humano já nasce viciado. E hoje em dia já nasce stressado.
O que é importante dizer, mas ninguém diz, é que há pessoas fracas e pessoas fortes, como já dizia Darwin, e enquanto uma pessoa reage de uma certa maneira a uma certa substância, outra pode ter outra reação. Somos todos diferentes. Há pessoas que diante de uma situação de stress simplesmente fogem, outras enfrentam o perigo, outras dissimulam, outras arrumam alguém para levar a culpa. E assim é em todos os aspectos da vida quotidiana. Um copo de cerveja pode ter um efeito numa pessoa e outro efeito diferente numa outra pessoa.
Como classificar, então, a dependência clínica? Tenho amigos que não passam um dia sem um chocolate, outros que se não tomam café agem de maneira estranha. Em que momento, nós, que estamos de fora, podemos afirmar com certeza absoluta que uma pessoa tem um problema? Não podemos, e esse é o dilema dos nossos dias. Um médico tem um diploma, mas ele não sente na pele as experiências do dia-a-dia de seus pacientes. Ele não sabe ao certo o que cada pessoa sente a cada momento. Então, como podemos nos sentir tão superiores a ponto de julgar o comportamento alheio?
Somos deprimentes. Somos hipócritas. Somos animais sem instinto tomando remédios que são vendidos em farmácias e criticando aqueles que compram seus remédios no mercado ou no bar da esquina. O fato inegável é que o ser humano já passou muito da intersecção entre o real e o imaginário e ninguém sabe mais ao certo o que está acontecendo. Mas uma coisa é certa: a culpa do transtorno mental coletivo não é de nenhuma droga conhecida e sim do próprio ser humano, que não sabe seus limites, que não se controla, que não sabe o que está fazendo nem por que. Somos como ratos num labirinto, mas, ao contrário dos ratos, não sabemos como sair de lá.
Feliz (ou não) sou eu, que posso continuar trabalhando tranqüilamente a semana inteira sabendo que terei o conforto da já consagrada happy hour de sexta.

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Egometipse

às 13:47

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Quinta-feira, Fevereiro 10, 2005


Quando eu fiz 18 anos chamei os amigos para comemorar numa danceteria de São Paulo que não existe mais, mas isso não vem ao caso.

O importante é que no dia da festa eu tentei fazer um bolo, mas não deu certo. Não tinha problema, afinal era uma festa de 18 anos, quem precisa de bolo de aniversário nessa idade?

Mas os meus amigos se juntaram e, em segredo, foram a uma padaria próxima e compraram um bolo, que foi guardado na cozinha da danceteria.

Lá pelas duas da manhã eles apareceram com o bolo e uma vela que me fizeram soprar e fazer um pedido.

Eu não lembro o que pedi, mas certamente não foi para que a nossa amizade durasse para sempre porque hoje eu não sei onde estão essas pessoas.

Eu não sei se devo ficar triste ou não. Eu simplesmente não sei...



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às 09:11

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Sexta-feira, Janeiro 21, 2005


PAU - Partido da Anarquia Utópica

Se você está cansado desse sistema político que aí está, entre no PAU.

O PAU vai te fazer feliz, muito mais do que você imagina.

Você vai ser outra pessoa depois que entrar no PAU.

Se você acha que nossos políticos só passam o ferro no povo, não perca mais tempo! Entre agora mesmo no PAU.

Somente o PAU poderá tirar o país da lama em que está.

O PAU é muito mais que um partido político, é um estilo de vida.

Entre hoje mesmo no PAU e faça a diferença!

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Egometipse

às 15:35

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Quarta-feira, Dezembro 29, 2004


Começa mais um alegre dia na fazenda:

Levantamos à quatro horas da manhã e vamos felizes ordenhar as vacas.

Às cinco vamos para a cozinha fazer o pão.

Às sete vamos cuidar da lavoura.

Quando o sol fica muito forte, às dez horas, vamos almoçar e descansar.

Às quatorze horas vamos alimentar os animais e limpar seus viveiros.

Às quinze horas começamos a preparar o jantar que será servido pontualmente às dezessete.

Às dezenove horas vamos dormir, ansiosos por mais um dia glorioso que nascerá sobre a fazenda feliz.

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Egometipse

às 14:59

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Sexta-feira, Dezembro 24, 2004


Presente de Natal

O presente de Natal que eu gostaria de ganhar este ano seria ouvir o vencedor do Aprendiz (não sei se já acabou) dizer para o Justus:

"Pega seu emprego e enfia no ...!!!"

Eu me sentiria bem mais feliz e saberia que nem tudo está perdido.

Mas, eu sei que não vou ganhar isso então desejo a todos um Felicíssimo Natal cheio de comida, bebida, tio dormindo no sofá, tia correndo atrás das crianças remelentas, papai noel de mentirinha e tudo mais a que vocês têm direito.

Tudo de bom!

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Egometipse

às 07:46

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Terça-feira, Dezembro 07, 2004


DEU NO JORNAL (UI!)

"Professora é denunciada por colar a boca de três alunos com fita crepe."

É revoltante.

É chocante.

É absurdamente nauseante.

Como que eu não pensei nisso antes?

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Egometipse

às 11:21

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Terça-feira, Novembro 23, 2004


Lenha na fogueira ou chuva no molhado?

Essa semana me deparei com algo ¿interessante¿ na televisão. Entre aspas porque interessante é uma palavra que não se aplica a nada na televisão aberta ultimamente.

Eu estava pintando então liguei a TV para ver se tinha algo só para ouvir enquanto meus olhos se concentravam no pincel. Comecei com um jornal, quando acabou pus em outro, quando o segundo acabou comecei a rodar os canais. Não tinha mais nada.

Até que passei pelo programa do Gilberto Barros na Bandeirantes. Como gosto do Gilberto e sei que sem tem coisas boas no seu programa deixei lá.

Mas eis que começou o quadro ¿lenha na fogueira¿. É assim: algumas pessoas sentadas em formação circular discutem assuntos ¿polêmicos¿. Novamente entre aspas pois polêmica é algo que já não existe mais na televisão, apenas pessoas que falam coisas estranhas com o intuito de aparecer cada vez mais na televisão.

O que me espantou logo de cara foi o ¿time¿ de personalidades que participavam do quadro: uma modelo-atriz decadente, um ex-big brother, um piloto de carro, um ator meia-boca e uma total desconhecida (para mim).

Juntando todo mundo acho que não dava 100 pontos de QI.

Aí o Gilberto começou a lançar os temas para a discussão.

Primeiro tema: Trote universitário.

Socooooooorro!!! Alguém tem alguma coisa a dizer sobre esse assunto?

¿Quando o trote é sadio eu sou a favor.¿

¿Eu sou totalmente contra¿

¿Quando eu entrei na faculdade (outro dia) tive que andar com o segurança da escola para não ser pintada.¿ (declaração da modelo-atriz).

Hahaha Até aí muito engraçado.

Segundo tema: drogas.

Por favor!!! Um pouco de criatividade seria bom, né?

¿Sou contra¿

¿Sou a favor¿

¿Já usei¿

¿Nunca usei¿

¿Na Holanda é liberado¿

Blá blá blá.

Será que foi o Gilberto que escolheu esses temas?

Terceiro assunto: balada.

Nessa parte minha mão pegou o controle remoto e desligou a televisão.

Perdi até a inspiração para pintar. Também, quem é que consegue ser criativo ouvindo um programa desses?

Mas como eu fui ensinada a não criticar o que não sei fazer melhor, aqui vai a minha solução para o programa:

- Em vez de pseudo-famosos da televisão eles poderiam colocar pessoas que realmente trabalham como professores, artistas (de verdade), médicos, engenheiros etc.
- Em vez de discutir temas que todo mundo já discutiu eles poderiam dar sua opinião sobre fatos novos e ainda não discutidos na TV como o movimento sem-terra, as invasões dos sem-teto, o péssimo ensino brasileiro da atualidade (sobre isso poderiam ler as redações do pessoal que presta o ENEM para mostrar ao Brasil que as crianças se formam no ensino médio sem saber ler ou escrever), a greve, as micro-empresas como solução para o desemprego, o êxodo dos habitantes de grandes cidades para o interior e cidades menos populosas em busca de qualidade de vida, a transformação dos presídios em fábricas e fazendas onde o preso trabalha para se sustentar etc.
- Em vez de apenas darem sua opinião eles poderiam propor soluções viáveis para os problemas sociais e questionar os governantes sobre essas soluções.

Mas isso não dá audiência, né? Não vende produtos, não dá números bons no IBOPE.

Aliás, como é que o IBOPE mede a audiência em tempo real? Bom, isso é assunto para outra fogueira...

Gorfado por

Egometipse

às 21:33

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FIM DE NAMORO

E mais um namoro meu vai por água a baixo... Após 7 meses de felicidade (ou a ilusão dela!) meu Exelentísso agora EX descobriu que não queria mais namorar. Bom, confesso que ainda estou tentando me recuperar desta brincadeira do destino. Porém, as opiniões de alguns amigos meus divergem quanto a forma de esquecer alguém. Uma corrente filosófica diz: DE UM TEMPO SOZINHO!!!.Entretanto, outros amigos são partidários de outra teoria: NADA COMO UM NOVO AMOR PARA ESQUECER O VELHO!!!...Agora, além de sozinho, estou também confuso com tantas teorias... QUAL DEVO SEGUIR?

Gorfado por

TO MAL NA FITA

às 00:41

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Quarta-feira, Novembro 10, 2004


PROCESSANDO O IMPROCESSÁVEL

Computador novo não funciona.

S.O.S.

Ninguém sabe qual o problema.

Mayday mayday

Cabeça não funciona.

Alguém me copia?

Pane no sistema central.

Do you read me?

Eles estão por toda parte! Corram!

Atirem! Atirem!

Relatório final: nenhum sobrevivente. Assinado: o computador assassino HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA (risada malévola)

Fim.

Gorfado por

Egometipse

às 15:12

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Sexta-feira, Novembro 05, 2004


VALOR DA AMIZADE (EM CIFRÕES!!!)

Parece que a solidão é um estado de espírito permanente...
Percebo que as amizades que possuo são fracas como um fio de cabelo. É engraçado, mas fora algumas pessoas que se lembram que eu ainda existo (EGOMETIPSE), eu poderia desaparecer da face da terra, mudar de pais ou de galáxia, e mesmo assim não seriam capazes de ligar em minha casa para saber o que aconteceu comigo. O mais engraçado é que o meu namorado, o RAFFA, possui vários amigos fieis e que ligam e o procuram constantemente para sair. Então pergunto: O que acontece comigo? e a resposta é: Eu não tenho dinheiro para balada, não tenho carro, não tenho muito a oferecer a ninguém "finaceiramente falando"
Dentro de tudo isso, chego a terrível conclusão:
O MASTERCARD COMPRA ATÉ AMIGOS!

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TO MAL NA FITA

às 03:07

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Quarta-feira, Novembro 03, 2004


Finalmente meu computador novo chegou.

Chegou no sábado, mas até agora não consegui fazer o modem funcionar.

Não entendo de modens, terei que levar o micro na loja para o técnico "dar uma olhada".

Sinto-me como se estivesse diante de um acidentado com várias coisas saindo de seu abdômen e tudo que eu soubesse fosse contabilidade.

Espero que sábado esse tormento acabe...

E depois ainda tenho que descobrir um meio de instalar a impressora.

Não sei onde pus o disquete.

O sistema fala que tem um dispositivo desconhecido...

Acho que vou ficar louco mais cedo do que eu esperava...

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Egometipse

às 09:27

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Quinta-feira, Outubro 28, 2004


Música do dia

Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia.
Eu não encho mais a casa de alegria.
Os anos se passaram enquanto eu dormia.
E quem eu queria bem me esquecia.

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar!

Eu não tenho mais a cara que eu tinha.
No espelho essa cara não é minha.
Quando eu me toquei achei tão estranho.
As minhas rugas estavam deste tamanho!

Será que eu falei o que ninguém ouvia?
Será que eu escutei o que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar!


Titãs

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às 09:56

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Segunda-feira, Outubro 11, 2004


"Excelentíssimo senhor presidente ¿Lula¿,

venho por meio desta pedir, ou melhor, implorar por sua sensatez. Eu sou bancária e costumava me orgulhar disso, mas há quase um mês venho passando por um terrível dilema: não quero fazer greve, mas também não quero mais ser explorada. O que o senhor me aconselha a fazer? Mudar de ramo? Mudar de país? Estou considerando as duas possibilidades.
Gostaria de lembra-lo, contudo, que a categoria bancária já está desgastada e cansada de ser feita de boba. E a cada dia que passa sentimos que nossa luta é em vão. Todos os dias eu me pergunto se isso tudo vale a pena. Assim como eu, outros bancários se perguntam o mesmo. Perguntam-se também se amanhã poderão pagar as contas e alimentar a família. Quantas dúvidas! E não menos recorrente é a dúvida que não só os bancários, mas muitos brasileiros possuem no momento: será que fizemos a melhor escolha? Será que nosso presidente vai olhar por nós como disse que faria?
O senhor se fez na luta pelo trabalhador. Quantas greves o senhor fez? Acha que alguma delas foi injusta? Então por que age como se a greve dos bancários fosse uma birra de criança? Nós não somos mais adolescentes querendo atenção, somos trabalhadores como o senhor um dia foi, mas parece que a presidência o fez se esquecer disso.
Eu não me esqueci do senhor Berzoini. Logo ele que já foi um de nós, que já travou a luta que estamos travando, vira as costas para os bancários como se fôssemos indigentes indesejáveis dormindo no banco da praça.
Senhor presidente, lembre-se de quem o senhor foi, de como foi difícil chegar ao topo e de como foi duro conquistar a confiança de todos os brasileiros. Não cuspa no prato em que comeu e, principalmente, não jogue fora quatrocentos mil votos na próxima eleição. Eles podem fazer falta."


Carta enviada para o presidente Lula e para os jornais Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, Correio Braziliense, rádio Eldorado, rádio Jovem Pan AM, revista Veja, revista Istoé, revista Época e revista Carta Capital.

Se alguém vir publicado por aí favor avisar. Mas acho que ninguém vai publicar...

Gorfado por

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às 11:38

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Quinta-feira, Outubro 07, 2004


Você sabe por que os bancários estão em greve?

Por uma questão simples de matemática. Faça as contas:

- Nos últimos dez anos a inflação no brasil foi de 111% (flat).

- Nesse mesmo período, o lucro dos bancos aumentou em 400% (mais ou menos).

- O salário dos bancários do setor privado aumentou 104% (flat).

- E o salário dos bancários do setor público, que encabeçam a greve, aumentou 55%.

Não é preciso ser um gênio da matemática para sacar o que aconteceu, né?

Mas não é só a questão financeira que nos leva ao protesto mais antigo do que os sindicatos, (que no nosso caso não está ajudando em nada), existe também uma questão muito discutida e pouco divulgada pela mídia: condições de trabalho.

Nesses últimos dez anos, além de morder várias fatias do nosso salário, os banqueiros também morderam boa parte da dignidade dos bancários, que se vêem cada vez mais acuados, moralmente assediados por diretorias gananciosas que impõem metas absurdas e cada vez mais sofrendo de problemas psicológicos decorrentes do stress: fobia, transtorno obcessivo compulsivo, depressão, ocilações de humor, intolerância, desânimo, cansaço e tantas outras coisas que seria difícil citar.

Não é à toa que grande parte dos bancários é composta de solteiros invictos. Bancário só casa com bancário. Não há outra solução. Ninguém é capaz de nos suportar a menos que viva a mesma realidade. Em suma, somos loucos. Mas não é nossa culpa e sim daqueles que aumentaram as cargas de trabalho, diminuíram a quantidade de funcionários e exigiram cada vez mais dos que restaram. Aqueles que não conseguem sair do ramo são vistos, depois da aposentadoria, alimentando pombas de cimento nas praças imundas e falando consigo mesmos. É triste, mas é real.

Os bancários estão em greve porque não aguentam mais serem tratados como mulas, açoitados moralmente pela gerência, criticados pelos clientes que estão cobertos de razão em reclamar das filas e do péssimo atendimento? Como é possível fazer um atendimento decente se a média de clientes por agência pessoa física ultrapassa os 2 mil e a quantidade de funcionários não chega a 8. Isso sem contar os que não são clientes mas precisam dos serviços bancários todos os dias.

Felizmente há alguém olhando por nós. Se não Deus, pelo menos um jornalista competente e respeitado chamado Marcelo Tas, que publicou em seu blog uma nota de apoio à nossa causa. Ao menos um entre tantos que só nos atiram pedras. Isso e somente isso é que me faz ter alguma esperança...

Gorfado por

Egometipse

às 10:44

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